quinta-feira, 22 de outubro de 2020

33 - A consciência alienada é a verdade: Intelectual, pequeno burguês a serviço do capitalismo.

 


O intelectual não é, “o portador de valores universais”; ele é alguém que ocupa uma posição específica, mas cuja especificidade está ligada à funções gerais do dispositivo de verdade em nossa sociedade. O intelectual tem uma tripla especificidade: a especificidade de sua posição de classe, pequeno burguês a serviço do capitalismo, intelectual “orgânico” do proletariado; a especificidade de suas condições de vida e de trabalho, ligadas à sua condição de intelectual, as exigências políticas a que se submete na universidade; finalmente, a especificidade da política da verdade nas sociedades contemporâneas.

O intelectual funciona no nível geral do regime de verdade, que é essencial para as estruturas e para o funcionamento da sociedade. A um combate pela “verdade”, por verdade não quero dizer o conjunto de coisas verdadeiras a descobrir ou a fazer aceitar, mas o conjunto de regras criadas para manutenção do poder. Não se trata de um combate “em favor” da verdade, mas em torno do estatuto da verdade e do papel econômico-político dos intelectuais não em termos de “ciência/ideologia”, mas em termos de “verdade/poder”.

Por “verdade”, entender um conjunto de procedimentos regulados para a produção, a lei, a repartição, a circulação e o funcionamento dos enunciados.

A “verdade” está circularmente ligada a sistemas de poder, que a produzem e apoiam, e a efeitos de poder que ela induz e que a reproduzem.

 

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2017. p. 53.

 


terça-feira, 31 de março de 2020

32 - Impressões de Michel Foucault. Roberto Machado.



Impressões de Michel Foucault, é um belo livro, fácil de ler e entender, escrito pelo filósofo brasileiro Roberto Machado. No livro o autor apresenta com riqueza de detalhes as experiências que obteve ao lado de Michel Foucault durante os anos que estudou na França.
Na obra, Roberto Machado apresenta suas impressões através de textos e imagens, do homem e filósofo Michel Foucault.
N-1 Edições.
P. 240.
2017

segunda-feira, 23 de março de 2020

31 - Biopolítica e Coronavírus, ou não se esqueça de Foucault, 2020.



O que a epidemia de coronavírus nos mostra é mais a força do esquema explicativo de Michel Foucault do que a atual linha de interpretações necropolítica. Todos sabemos que Foucault via o biopoder como uma série de eventos, desde os teóricos até as práticas concretas, que formaram a base de uma nova relação entre estados nacionais e o elemento biológico da vida humana. Não mais a exclusão da vida política e a pilhagem de bens e direitos que caracterizariam o Antigo Regime, mas sim novas técnicas organizadas em torno da melhor extração das forças vivas. Assim, o biopoder é um índice descritivo do momento em que os Estados começaram a exercer a gestão de esferas da vida social que hoje nos parecem óbvias, como assistência à saúde, taxas de natalidade e mortalidade, etc. Foucault não sugere que isso se deva à preocupação humanista do Estado; trata-se, de fato, de atender às demandas do capitalismo. Bruno Cava sintetizou bem em seu texto recente: o conceito de biopolítica não descreve necessariamente uma situação “boa” ou “ruim”: Foucault limita-se a apontar precisamente os limites de nossa situação.
Diante do coronavírus, a maioria dos Estados exerceu forte controle sanitário e populacional para impedir sua propagação; estritamente falando, estão sendo tomadas ações para evitar um maior número de mortes. Essa biopolítica nos coloca no domínio de como Foucault concebeu as técnicas de gestão populacional, focadas (principalmente, mas não exclusivamente) para melhor condicionar as forças vivas. É cada vez mais evidente, no entanto, que mesmo ações drásticas não foram suficientes para conter a disseminação do vírus, e um senso de responsabilidade coletiva está crescendo para com aqueles que não podem se proteger: aqueles que não podem trabalhar em casa, aqueles que são em condições sanitárias desfavoráveis, idosos etc.
Por Felipe Demetri



30 - Michel Foucault. A necropolítica das epidemias. Novo Corona Vírus.



Enquanto o vírus corona aciona o pânico coletivo dos regimes autoritários, o vírus zika abandona as mulheres mais vulneráveis ao abuso de governos patriarcais que perseguem a reprodução.

A epidemia do vírus corona parece uma atualização das aulas de Michel Foucault sobre biopolítica, segurança e territórios. A biopolítica é o poder que organiza as políticas da vida, isto é, são táticas que regulam que corpos devem viver e quais podem ser descartáveis. A explosão de uma epidemia é um momento efusivo à biopolítica: em nome da proteção coletiva se controlam os corpos, se traçam fronteiras reais ou imaginárias à saúde. Assim foi com a epidemia de zika vírus. Com zika, no entanto, o pânico global foi ligeiro, pois logo se compreendeu que o risco à doença estava confinado aos países tropicais. E por que o rápido silenciamento sobre o zika? Porque toda biopolítica se converte em uma necropolítica quando os regimes de desigualdade determinam quais corpos vivem o risco.
Há uma nova doença em curso, e sobre a verdade do vírus não parece haver controvérsia — a Organização Mundial de Saúde a descreve como COVID-19, uma doença infecto-respiratória semelhante à gripe. Por ser um vírus novo, a taxa de infecção é alta, pois não há imunidade por adoecimento prévio ou proteção por vacina. Uma doença se apresenta como perigosa às populações por seu potencial de contaminação ou pelo risco de morte. Nesse sentido, os vírus corona e zika se parecem na epidemiologia: populações sem imunidade e risco de morte concentrado em determinados grupos etários — no caso do vírus corona, entre idosos; do zika, entre crianças.
Mas o burburinho das duas epidemias foi diferente. Houve compaixão às mulheres e seus filhos, discutiu-se os riscos de a doença sair do Sul Global para o Norte pelo risco de transmissão sexual, uma vez que o mosquito, o principal vetor, estava concentrado nas casas precárias dos trópicos. No entanto, não houve desaceleração da economia global, flutuação da bolsa de valores ou cancelamento de desfiles de moda, congressos acadêmicos e encontros de negócios, como ocorre com o vírus corona. Há um verdadeiro “pânico coletivo”, segundo Giorgio Agamben, cujo exagero da resposta seria, na verdade, um pretexto de governos autoritários para mover o “estado de exceção”.
Agamben está certo em descrever que o estado de medo em que vivemos se alimenta com momentos de “pânico coletivo”. O vírus corona permite fechar fronteiras, impedir mobilidade nas cidades, confinar indivíduos às casas. Se a política do medo explica o exagero da resposta e sua utilidade para os regimes autoritários, para nós, há uma outra particularidade em como se respondeu à epidemia de zika em comparação à de corona: zika era uma doença com risco global, mas se mostrou uma doença de gente miserável e uma sentença de vida às mulheres anônimas.
Nossa estranheza não é ressentimento de mulheres latinas que, ainda hoje, acompanham a peregrinação das sobreviventes de zika com seus filhos. Como qualquer outra pessoa, estamos expostas ao vírus corona, mas diferentemente das mulheres pobres do Brasil, Colômbia, El Salvador ou Venezuela, não estamos em risco ao adoecimento pelo vírus zika, ou sob leis criminais que proíbem o aborto ou sob regimes de pobreza que desamparam o cuidado. É preciso especificar quais mulheres vivem o vírus zika como uma ameaça para o futuro —as mulheres mais vulneráveis, negras e indígenas, jovens e pobres. Essa é a passagem da biopolítica para a necropolítica das epidemias: o vírus corona aciona o pânico coletivo dos regimes autoritários que não querem estrangeiros em terras próprias; o vírus zika abandona as mulheres mais vulneráveis ao abuso de governos patriarcais que perseguem a sexualidade e a reprodução.

Debora Diniz é brasileira, antropóloga, pesquisadora da Universidade de Brown.
Giselle Carino é argentina, cientista política, diretora da IPPF/WHR.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

29 - David Rubens: Livros.



RUBENS, David. História da Igreja. 1. ed. Pindamonhangaba: IBAD, 2020. ISBN - 978-85-60068-59-3. P. 200.
RUBENS, David. Pentateuco: História, composição e aspectos teológicos de Gn, Êx, Lv, Nm e Dt. 1. ed. Pindamonhangaba: IBAD, 2020. ISBN - 978-85-60068-56-2. P. 300.
RUBENS, David. Capelania Cristã: serviço de assistência espiritual. Pindamonhangaba-SP: IBAD, 2020. ISBN. 978-85-60068-54-8. P. 100.
SOUZA, David Rubens. Jesus Histórico: o caminho do amor e do cuidado. Curitiba-PR: Editora Prismas, 2016. ISBN - 978-8555-07379-3. P. 110.
RUBENS, David. No caminho com Deus: Livro de Reflexões. Pará de Minas/MG: Kerygma, 2012. ISBN. 978-85-7953-638-0. P. 85.
RUBENS, David. Jesus: modelo de práxis-social cristã. São Paulo: Kerygma, 2011. P. 96.


segunda-feira, 4 de março de 2019

28 - A Coragem da Verdade. Michel Foucault



Último curso ministrado por Michel Foucault no Collège de France, de fevereiro a março de 1984. Ele morre meses depois, no dia 25 de junho.
O curso interroga a função do “dizer-a-verdade” na política, a fim de estabelecer, para a democracia, um certo número de condições éticas irredutíveis às regras formais do consenso: coragem e verdade.
Foucault propõe um estudo do renovado do cinismo antigo como filosofia prática.
Somos desafiados pelo grande filósofo a pensar o discurso e a questão da verdade a partir do período clássico da filosofia.
Belíssimo livro!
p. 339.

27 - A Hermenêutica do Sujeito. Michel Foucault



Aulas de 1982, neste curso Michel Foucault apresenta uma investigação sobre a noção de “cuidado de si” que, bem mais do que o famoso “Conhece-te a ti mesmo”, organiza as práticas da filosofia. Trata-se de mostrar as técnicas, os procedimentos e as finalidades históricas segundo as quais, em uma relação consigo determinada, um sujeito ético se constitui.
Belíssimo livro, Foucault explora questões de economia e política relendo Platão e Marco Aurélio, Epicuro e Sêneca.
Na obra somos desafiados a repensar a política.
p. 506.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

26 - O GOVERNO DE SI E DOS OUTROS. Michel Foucault


Martins Fontes
2013
P. 380

Primeiro livro que li de transcrição das aulas de Foucault no Collège de France, confesso que quando comecei a leitura achei um pouco confusa (talvez por ter vários termos em alemão, a leitura tem que ser feita com muita atenção pra não correr o risco de viajar muito e perder o foco) depois fui acostumando. O livro consta aulas de 1983, últimas aulas de Foucault, aqui ele retoma o pensamento de Kant, trabalha o conceito de esclarecimento. E claro, o conceito de governo e obediência, inclusive, a ideia de que é confortável para as pessoas serem subjugadas.  

2016

25 - DO GOVERNO DOS VIVOS. Michel Foucault



Martins Fontes
2014
P. 357

Aulas de 1980. Em minha opinião um dos melhores cursos, muito esclarecedor. Foucault define o que é governo e detalha a forma como se constrói o poder, faz um levantamento histórico sobre as formas de governo e poder.
Na primeira aula ele fala da sala de justiça de Sétimo Severo, desenvolve uma reflexão sobre poder e verdade. Na segunda aula trabalha a relação entre governo e verdade, traz como exemplo a tragédia de Édipo rei. Na aula de 13 de fevereiro, ele fala de Tertuliano e a relação entre purificação da alma e acesso à verdade.
Enfim, Foucault trabalha a questão do poder, governo e obediência a partir da filosofia antiga e cristianismo. Bastante informação histórica.   
 Nota 10

2017

24 - OS ANORMAIS. Michel Foucault


Editora Martins Fontes
2014
P. 330.

Transcrição de aulas proferidas em 1975. Foucault trabalhou neste curso assunto da área de psiquiatria, abordou a questão da normalidade, patologia e poder. É possível relacionar o curso de certa forma, com o livro clássico de Foucault História da Louca. Foucault apresenta vários casos de “anomalias”, e propõe uma reflexão sobre o processo de construção da normalidade. Crimes e criminosos (exemplos de comportamentos anormais) famosos são apresentados nestas aulas.
Belo curso.
Nota 10  

Leitura 2017

23 - SUBJETIVIDADE E VERDADE. Michel Foucault


Editora Martins Fontes
2016
P. 303

Aulas de Michel Foucault ministradas no Collège de France em 1981. Assunto, sexualidade, primeira aula 7 de janeiro de 1981, Foucault inicia sua aula com a fábula do elefante, enfatizando a fidelidade existente entre os animais. Nas aulas subsequente, desenvolve o tema desde o judaísmo até o surgimento do cristianismo. Foucault dá uma atenção especial à filosofia grega, inclusive narra vários diálogos dos filósofos clássicos.
Livro excepcional.
Nota 10.

Leitura 2017.

sábado, 18 de março de 2017

22 - SENTIDO E PERCEPÇAO: John Langshaw Austin


Editora: WMF MARTINS FONTES
Coleção: Filosofia
ISBN: 9788533619975
Páginas: 160

Relato de minha leitura da obra:
O livro na verdade consiste em aulas de Austin, do texto trabalha a questão dos sentidos, ou seja, como visualizamos os objetos, se a percepção que temos das coisas condiz com a realidade.   

Comentário da editora:
Esta é a melhor introdução possível ao estilo singular de pensamento e expressão de Austin. A tarefa de construção foi executada com grande habilidade e compreensão. Qualquer pessoa que tenha escutado Austin conversando ou dando uma aula de filosofia reconhecerá sua voz nessas páginas. Qualquer pessoa familiarizada com as discussões a respeito do tema ficará impressionada com o efeito de frescor e de verdade encontrado em Austin. A obra traz ainda um prefácio de G. J. Warnock.


Nota: 3

21 - IRRELIGIÃO DO FUTURO, A: ESTUDO SOCIOLÓGICO: Jean-Marie Guyau


ISBN: 9788580631395
ISBN13: 9788580631395
Editora: Martins Fontes - Selo Martins
Assunto: Filosofia
Ano de Publicação: 2014
Coleção: Tópicos
Edição: 1
Páginas: 872

Relato de Leitura:
Jean-Marie, filósofo do século XIX, que inclusive influenciou o pensamento de Nietzsche e é possível perceber semelhança entre os dois, o livro na verdade é do início ao fim uma forte crítica a religião. Do texto é bem elabora pelo autor, que trabalha vários pontos da religião. Deixo uma breve citação da obra, quase uma espécie de resumo das 872 páginas: “O sentido religioso não é mais apenas o sentimento da dependência física em que nós encontramos em relação à universalidade das coisas. É, sobretudo, o de uma dependência psíquica, moral e definitivamente social”.

Comentário da editora:
Neste livro, Jean-Marie Guyau discute o futuro das religiões como uma paulatina dissolução de seus dogmas em nome da construção de 'uma moral cósmica panteísta'. Para ele, um mundo em contínuo progresso material e científico tenderia a substituir os fanatismos e as intolerâncias que geram as dissensões e as guerras religiosas. A irreligião do futuro não afirma o fim das religiões, mas dos dogmatismos, abrindo a perspectiva de uma relação real entre o homem e o mundo, já que, livre dos preconceitos nascidos da ignorância, o homem se daria conta de que é parte de um todo maior, parte da natureza, parte da vida - essa mesma vida que, tal como Nietzsche, Guyau não parou de afirmar e de exaltar, mesmo quando, ainda jovem, descobriu-se perto da morte.

Sobre o autor:
Jean-Marie Guyau nasceu em Laval, França, em 1854, e foi um grande filósofo e poeta francês. Estudou arduamente literatura e filosofia até começar a produzir suas próprias obras, de grande expressividade na Europa do século XIX e começo do século XX, influenciando diversos autores contemporâneos, inclusive Friedrich Nietszche. Faleceu precocemente, aos 32 anos de idade, vítima de tuberculose.

Nota: 5


20 - BUSCA DO SENTIDO, A LINGUAGEM EM QUESTAO: Jean-claude Coquet


Autor: Jean-claude Coquet
Editora: WMF MARTINS FONTES
Coleção: Linguística
ISBN: 9788578276737
Páginas: 368
Formato: 21,00 X 14,00
Acabamento: Brochura
Edição: 1ª EDIÇÃO – 2013

Relato da leitura:
O autor trabalha a temática da linguagem começando com uma análise histórica, cita Heráclito, Aristóteles, faz um comentário sobre a reflexão de Heidegger e, finalmente chega a Merleua-Ponty. Logo no início o autor diz: “A linguagem é nosso elemento como a água é o elemento dos peixes” (na verdade a frase é de Merleua-Ponty).

Sobre o autor:
Jean-Claude Coquet, linguista francês de renome internacional, especializado em semântica literária. Elaborou um método de análise da linguagem na linha dos trabalhos de Maurice Merleau-Ponty e Émile Benveniste. Atualmente, é professor emérito da Universidade de Paris VIII.


Nota: 4

19 - TRATADO SOBRE A CONVIVENCIA - CONCORDIA SEM ACORDO Autor: Julian Marias


Editora: WMF MARTINS FONTES
Coleção: Filosofia
ISBN: 9788533617780
Páginas: 264
Formato: 18,60 X 12,60

Sobre minha leitura:
Marías trabalha com riqueza de detalhes a questão da diversidade humana e da tarefa difícil de conviver. Ele trabalha a comunicação, os acordos, a falsidade e os modos de vida. Segundo o autor, “grande parte dos males deste mundo são em princípio evitáveis porque dependem dos comportamentos humanos e não da estrutura da realidade”.

Comentário da Editora:
A diversidade do humano deve enriquecer a convivência, não destruí-la. 'Tratado sobre a convivência' convida o leitor a rejeitar a falsidade que invade os meios de comunicação e os novos modos de vida. Nestes escritos, o autor analisa o presente e repassa o passado para exortar à reflexão e situar o leitor no futuro.

Leitura Realizada em 2016.


Nota: 4

18 - INTENCIONALIDADE: John R. Searle


Autor: John R. Searle
Editora: WMF MARTINS FONTES
Coleção: Filosofia
ISBN: 9788533617230
Páginas: 408
Formato: 18,50 X 12,70

Relato de minha leitura:
Searle trabalha nesta obra a questão da função no processo de ação e percepção. Trabalha também a linguagem como a capacidade dos atos da fala para representar objetos e estados. Confesso que o livro é um pouco denso, e a leitura acaba não sendo tão sedutora pra quem não trabalha com o tema abordado pelo autor. 

Comentário da Editora:
O livro procura desenvolver uma teoria da Intencionalidade. A abordagem apresentada na obra é de grande utilidade para a explicação dos fenômenos intencionais em geral.

Leitura realizada em 2012.


Nota: 3

17 - IMAGENS E SÍMBOLOS: ENSAIO SOBRE O SIMBOLISMO MÁGICO-RELIGIOSO: Mircea Eliade.


Autor: Mircea Eliade
Seção: Religião, Ocultismo, Espiritualidade e Autoajuda
ISBN: 8533600305
ISBN13: 9788533600300
Editora: Martins Fontes - Selo Martins
Assunto: Antropologia E História
Ano de Publicação: 1991
Coleção: Tópicos
Edição: 1
Páginas: 192

Relato de minha leitura:
Mircea Eliade foi um gênio naquilo que se propôs a fazer, todas as suas obras proporcionam grandes experiências e aprofundamento ao leitor. É importante mencionar que Eliade é um dos poucos estúdios da temática do mito que tem o interesse real que o leitor compreenda o assunto. O tema é abordado com clareza e com uma riqueza de detalhes. Acho importante citar um trecho da obra: “A vida do homem moderno está cheia de mitos semi-esquecidos, de hierofanias decadentes, de símbolos abandonados. A dessacralização incessante do homem moderno alterou o conteúdo da sua vida espiritual; ela não rompeu com as matrizes da sua imaginação: todo um refugo mitológico sobrevive nas zonas mal controladas” (p. 14).  

Comentário da Editora:
As análises do presente livro e todas aquelas que compõem a obra de Eliade não são puros jogos do espírito, mas antes descobridoras dos pontos de apoio que permitem ao homem-indivíduo e aos grupos humanos equilibrar e assegurar seus pensamentos em meio aos movimentos da sua experiência. Aqui o grande público pode conhecer a introdução a uma das pesquisas mais originais do nosso tempo, e constatar que seu autor foi e continua sendo, antes de mais nada, um escritor e um poeta.
O pensamento simbólico faz parte do ser humano; é anterior à linguagem e à razão discursiva. As imagens, os símbolos, os mitos não são criações irresponsáveis do psiquismo mas correspondem a uma necessidade e preenchem a função de revelar as modalidades mais secretas do ser. Estuda-los nos leva a conhecer melhor o homem, o “unicamente homem”, isto é, aquele ainda não compôs com as condições da história.

Leitura realizada em 2013


Nota: 6

16 - SISTEMA DA NATUREZA: OU DAS LEIS DO MUNDO FÍSICO E DO MUNDO MORAL: Barão de Holbach


Autor: Barão de Holbach
Seção: Filosofia
ISBN:  9788561635657
ISBN: 9788561635657
Editora: Martins Fontes - Selo Martins
Assunto: Filosofia
Ano de Publicação: 2011
Coleção: Tópicos
Edição: 1
Páginas: 868

Relato de Leitura:
Achei o livro bastante desafiador, mesmo o leitor da era das grandes descobertas ficara surpreso com a reflexão de Holbach, considerando que o livro foi escrito no século XVIII. O autor desafiou a religião e sua estrutura de forma contundente, inclusive suas críticas continuam bastante consistentes. Gosto bastante de uma frase de Holbach que aparece na página 32: “os homens se enganarão sempre que abandonar a experiência por sistemas criados pela imaginação”. O livro é extenso, 868 páginas, mas a leitura é rica e agradável. O autor nasceu na Alemanha, mas se naturalizou francês em 1749.
Para terminar cito mais um trecho da obra em questão: “Perguntarão, talvez, se seria possível racionalmente nos vangloriarmos de, algum dia, conseguir fazer todo um povo esquecer as suas opiniões religiosas ou as ideias que ele tem sobre divindade. Eu respondo que a coisa parece completamente impossível e que não é o objetivo a que nos propomos” (p. 834).

Comentário da Editora:
Para o Barão de Holbach, um dos materialistas mais radicais da história da filosofia, nada existe além da natureza, da qual fazemos parte inexoravelmente. Esta natureza, constituída por leis eternas, está em perpétuo movimento e desconhece o acaso: ou seja, tudo nela se dá de modo necessário e inescapável.
Desta concepção fatalista e determinista, surge, no entanto, uma filosofia da virtude e da felicidade (tanto individual quanto coletiva) que nos ensina que apenas o verdadeiro conhecimento da natureza pode libertar o homem da ignorância, dos fanatismos e das superstições. "Como se tornar aquilo que se é": eis a meta de Holbach

Comecei a leitura no fim de 2014 e terminei no início de 2015.


Nota: 5

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

15 - Platão - O Sofista. Martin Heidegger


No Sofista, Platão considera o ser-aí humano em uma de suas possibilidades mais extremas, a saber, na existência filosófica. E, em verdade, Platão mostra indiretamente aquilo que o filósofo seria, na medida em que explicita o que o sofista seria. E ele não nos mostra essas determinações, na medida em que apresenta um programa vazio, isto é, na medida em que diz o que seria preciso fazer, caso se queira ser filósofo, mas na medida mesmo em que ele filosofa. Pois só se pode dizer concretamente o que seria o sofista, como não filósofo propriamente dito, se se vive por si mesmo na filosofia. 
Formato: 14 X 21
Páginas: 764
Editora: Forense universitária

Sumário

NECROLÓGIO PARA PAUL NATORP
CONSIDERAÇÃO PRÉVIA
PARTE INTRODUTÓRIA
PRIMEIRO CAPÍTULO -  A visão panorâmica preparatória dos modos do a) desvelamento (e) ciência, arte, circunvisão, sabedoria, pensamento (Ética a Nicômaco VI, 2-6)
SEGUNDO CAPÍTULO -  A gênese da sofi/a (sabedoria) no interior do ser-aí natural dos gregos
(ai) percepção sensível, e) a experiência, arte, e) ciência, sabedoria) (Metafísica I, 1-2)
TERCEIRO CAPÍTULO
 A questão acerca do primado da circunvisão ou da sabedoria como os modos mais elevados do a) desvelamento (Metafísica I, 2; Parte 2; Ética a Nicômaco VI, 7-10; X, 6-7)
TRANSIÇÃO
A FIXAÇÃO DO CAMPO TEMÁTICO A PARTIR DO ALHΘEUEIN
§ 27. O que foi realizado até aqui e a tarefa ulterior. O que foi realizado até aqui: a conquista do modo de acesso (=  desvelamento). A tarefa: fixação do tema a partir do a)lhθeu/ein (do desvelamento) em Platão (= diale/gesθai – exame dialógico). Primeira indicação do tema: a revolução do conceito de ser; o ser do não ser (= falso)
PARTE PRINCIPAL
A INVESTIGAÇÃO PLATÔNICA ACERCA DO SER – INTERPRETAÇÃO DE O SOFISTA – OBSERVAÇÕES PRÉVIAS
INTRODUÇÃO – A PREPARAÇÃO DO DIÁLOGO (O SOFISTA – 216a-219a)
PRIMEIRA SEÇÃO – A BUSCA DO LOGOS (LINGUAGEM) DA EXISTÊNCIA FÁTICA DO SOFISTA (O SOFISTA 219a-221c)
PRIMEIRO CAPÍTULO
 Um exemplo do método da definição. A definição do a
SEGUNDO CAPÍTULO
 A definição do sofista. Definição 1-5 (221c-226a)
TERCEIRO CAPÍTULO
 Excurso – Orientação sobre a posição de Platão em relação ao discurso. A posição de Platão em relação à retórica. Interpretações do Fedro
QUARTO CAPÍTULO
 As definições do sofista. Sexta e sétima definições (226a-236c)
SEGUNDA SEÇÃO – EXPLICITAÇÃO ONTOLÓGICA – O SER DO NÃO SER (236e-237a)
PRIMEIRO CAPÍTULO - As dificuldades no conceito de não ser (237a-242b)
SEGUNDO CAPÍTULO -  As dificuldades no conceito do ente. A discussão das doutrinas antigas e contemporâneas do ente) (242b-250e)
TERCEIRO CAPÍTULO -  A resolução positiva do problema por meio da (consonância entre os gêneros) (251a-264c)
ANEXOS
ADENDOS – A PARTIR DO MANUSCRITO DE HEIDEGGER
ADENDO ORIUNDO DO CADERNO DE S. MOSER
POSFÁCIO DA EDITORA

Heidegger

Um dos maiores pensadores do século XX, nasceu em 26 de setembro de 1889, na cidade de Messkirch, Alemanha. Foi assistente de Edmund Husserl e trabalhou como professor efetivo nas Universidades de Marburg e de Freiburg. Entre seus alunos estão algumas das figuras mais importantes do pensamento contemporâneo: Hannah Arendt, Hans Georg Gadamer, Herbert Marcuse, entre outros. Em 1927, publicou sua obra central, Ser e tempo. Sua obra completa possui quase 100 volumes e está dividida em ensaios, conferências, discursos, preleções e livros. Em português temos já uma gama significativa de traduções: Introdução à metafísica, Heráclito, Ensaios e conferências, Carta sobre o humanismo, Nietzsche: metafísica e niilismo etc. Heidegger faleceu em 26 de maio de 1976.

Leia a Resenha da tradução brasileira do Platão: O sofista de Martin Heidegger, feita pelo prof. Roberto S. Kahlmeyer-Mertens, Professor da UNIOESTE



terça-feira, 8 de novembro de 2016

14 - Livro, Jesus Histórico: O Caminho do Amor e do Cuidado. David Rubens de Souza


Como Jesus foi visto ao longo da história? Em cada período Jesus foi interpretado de forma muito particular. Diante disso surgem algumas questões: seria possível reconstruir o verdadeiro Jesus histórico? O que os evangelhos ensinam sobre o Homem de Nazaré? Qual foi sua mensagem? Como foi seu ministério? Com quem ele andava? Será que os evangelhos apresentam respostas para esses dilemas? 
O movimento criado por Jesus há cerca de dois mil anos atrás continua até hoje, mas seria possível reconhecer a mensagem e a prática de Jesus no movimento que leva o seu nome? Qual a relação da igreja atual com o caminho de Jesus relatado nos evangelhos? 
É preciso saber quem foi Jesus para entender qual é a missão dos cristãos hoje.

Apresentação: Brochura 
Formato: 12 x 18cms 
ISBN: 978-85-5507-379-3
Páginas: 110 
Edição: 1ª 
Ano Publicação: 2016
Editora: Prismas

 Jesus Histórico: O caminho do amor e do cuidado 
David Rubens de Souza



Compre na Livraria: Comprar
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